Os caracóis e a alimentação Mediterrânica

Os caracóis fazem parte dos recursos naturais do mundo mediterrânico. Em épocas de escassez e de seca, comuns no sul, o acesso a proteína e energia era escassa e a recoleção era uma forma de contornar a situação. Existe uma referência constante à recolecção, enquanto pronto-socorro nos anos agrícolas de menor produção. A apanha do caracol era um dos exemplos, ou seja, a recolha direta daquilo que a natureza nos dava como forma de sobrevivência no seu estado mais puro, longe de qualquer contaminação. Caracóis, conquilhas, ervas, cogumelos…caça…tudo servia quando as colheitas escasseavam. Hoje em dia encaramos este alimento como um petisco muito apreciado a nível nacional.

É com a chegada de maio que se inicia a época do caracol. No entanto, em Portugal, a produção de caracóis é escassa. A maioria dos caracóis consumidos no nosso país é importada de Marrocos, sendo a espécie Theba Pisana, nativa do Mediterrâneo, a mais consumida em Portugal e Espanha.

Esta iguaria, à semelhança dos tremoços, é também fonte de proteínas (16g/100g), pobre em gorduras (1g/100g) e em calorias (90kcal/100g). Contém sais minerais e vitaminas, como o magnésio, o fósforo, o cobre e vitamina E, o que tornam este alimento interessante do ponto de vista nutricional.

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Informação retirada de NutritionData

Muitas das receitas tradicionalmente preparadas em Portugal utilizam como ingredientes o sal, caldos para cozinhar e enchidos para apurar o sabor, o que acaba por tornar os caracóis numa refeição excessivamente salgada. Assim, deve optar por reduzir o teor de sal, equilibrando os sabores com a adição de ervas aromáticas, como é o caso dos orégãos e de um pouco de picante ao gosto de cada um. Na preparação dos caracóis existem também alguns cuidados a ter, como a DECO indica:

  • Ao cozinhar caracóis em casa, tenha cuidado com a limpeza dos mesmos, dado o seu pé estar em constante contacto com o chão. Comece por retirar, com a ponta de uma faca, o opérculo, ou seja, uma formação calcária que tapa a abertura da concha.
  • Verifique se o animal está vivo. Se estiver morto deve deitá-lo fora.
  • Lave os caracóis com água morna e sal. Repita a operação várias vezes, mudando sempre a água. Coloque-os numa panela com água e cozinhe-os em lume brando. Depois de cozidos, escorra-os.
  • Ponha os caracóis de novo numa panela com água. Tempere com sal, alho, cebola, orégãos e, se gostar, piripíri. Deixe cozer cerca de 40 minutos.

Quando comprar caracóis deverá optar por caracóis produzidos em cativeiro e certificados, ao contrário de os apanhar sobretudo quando estão perto de zonas poluídas ou contaminadas, onde pode ocorrer o risco de contaminações químicas como pesticidas. Em termos de riscos microbiológicos, a refrigeração, as múltiplas lavagens antes da cozedura dos caracóis, a eliminação daqueles que se encontram mortos, e a cozedura prolongada, fazem com que o risco de contaminação microbiológica seja muito baixo, desde que tidas em conta estas precauções. No caso de grupos de risco como grávidas e crianças, se foram cumpridas todas as questões de segurança, não existe risco para a saúde. Se tiver alguma alergia alimentar ao marisco, fale com o seu médico, pelo que o seu consumo poderá em alguns casos desencadear uma reação alérgica.

Os caracóis são um petisco apreciado e, se confecionado de forma saudável, são baixos em energia e ricos em proteína. No entanto, os típicos acompanhamentos como a cerveja e o pão, sobretudo torradas ricas em manteiga, acabam por desvalorizar o valor nutricional da refeição.

Em muitos locais a venda deste petisco termina já em Setembro, portanto, se é amante de caracóis, disfrute, enquanto é tempo, deste alimento da nossa tradição, nutritivo e pouco calórico.

Imagem retirada de Pere David Porquer 

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