Perfil da gordura trans nos alimentos portugueses

Atualmente já existe evidência científica consistente relativamente aos efeitos prejudiciais do consumo de gordura trans produzida industrialmente, nomeadamente no aumento do risco de doença cardiovascular, de cancro e diabetes. Face à evidência têm sido tomadas medidas de forma a reduzir a gordura trans nos alimentos processados. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou um relatório sublinhando os benefícios e a importância de banir a gordura trans na Europa que pode ler aqui.

Para obter dados precisos sobre o consumo de gordura trans e implementar medidas adequadas para reduzir a sua ingestão, cada país deve ter atualizadas as estimativas do consumo de gordura trans na alimentação. Nesse sentido, foi publicado recentemente um estudo cujo objetivo foi o de traçar o perfil do teor de gordura trans em alimentos comercializados no mercado português.

Neste estudo, intitulado “Ácidos gordos trans no mercado alimentar português“, conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade do Porto, verificaram-se níveis elevados de gordura trans em alimentos portugueses, especialmente em bolachas e em produtos de pastelaria tipicamente disponíveis para venda.

A equipa avaliou o teor de gordura trans em 268 amostras adquiridas entre outubro e dezembro de 2013. As amostras foram categorizadas em vários grupos de alimentos como por exemplo margarinas e gorduras, gordura de chocolate para barrar, batatas fritas, padaria industrial, cereais de pequeno-almoço, produtos de pastelaria, entre outros. Em termos percentuais o conteúdo em gordura trans presente na gordura total, variou entre os 0,06% e os 30,2% (média de 1,9%), com os grupos das bolachas e biscoitos (3,4%) seguidos dos produtos de pastelaria (2,0%) a apresentarem os valores mais elevados.

Estes resultados destacam a necessidade de uma atenção aumentada ao conteúdo de ácidos gordos trans nos alimentos portugueses, particularmente na pastelaria tradicional. O tipo de gordura utilizada na preparação dos produtos a nível da produção e a leitura dos rótulos por parte dos consumidores são essenciais.

Imagem retirada de Bogdan Lungu

3 Comentários , Adicione o seu

  1. Até que enfim! Estava a ver quando chegaria o dia em que arranjavam coragem para dizer esta preciosa verdade aos portugueses.
    Deus permita que esta informação possa entrar em todas as casas, para ser aceite, e posta em prática, em cada uma delas.
    Saúde, Portugal.
    Parabéns ao(s) corajoso(s), na divulgação!
    Parabéns à DGS e força para continuar!
    Agora, é só preciso insistir na mesma tecla, não se esqueçam disso (estou feliz por terem avançado, neste campo prioritário da alimentação – e… se a TV falar ou ler o vosso artigo, terá ainda mais impacto nas pessoas e melhores resultados práticos nos cidadãos!)
    Um abraço solidário,
    Dra. Nídia Pereira

    Maria Nídia Costa Pereira a 15/01/2016 às 23:23
  2. importante esta investigação que vem de encontro a vários estudos já publicados sobre as gorduras trans nos alimentos processados.

    maria Baptista a 17/01/2016 às 23:10

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