Mel nacional, uma escolha alimentar com impacto no meio ambiente

Mel Nacional

O mel é um produto natural que pode ser utilizado com moderação na nossa alimentação, existindo em Portugal uma vasta quantidade de produtores de mel com elevada qualidade.

O mel define-se como uma:

“substância açucarada natural produzida pelas abelhas da espécie Apis mellifera a partir do néctar de plantas ou das secreções provenientes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que ficam sobre partes vivas das plantas, que as abelhas recolhem, transformam por combinação com substâncias específicas próprias, depositam, desidratam, armazenam e deixam amadurecer nos favos da colmeia”(DL Nº. 214/2003).

De acordo com o local onde é produzido e atendendo à flora característica da região polinizada pelas abelhas, o mel adquire características sensoriais únicas.

Em Portugal, existem vários tipos de mel com Denominação de Origem Protegida (DOP), ou seja, com um nome geográfico ou equiparado que designa e identifica um produto originário desse local ou região, cuja qualidade ou características se devem essencial ou exclusivamente ao meio geográfico específico, incluindo fatores naturais e humanos e cuja produção têm lugar na área geográfica delimitada. Em Portugal e com estas características existe o Mel da Serra da Lousã DOP, Mel da Terra Quente DOP, Mel de Barroso DOP, Mel do Parque de Montesinho DOP, Mel do Ribatejo DOP, Mel dos Açores DOP, Mel da Serra de Monchique DOP, Mel das Terras Altas do Minho DOP e o Mel do Alentejo DOP. Esta designação garante a obtenção de um produto de qualidade com características únicas, protegendo e valorizando os apicultores locais e promovendo, ainda, o combate à fraude.

Características nutricionais do mel

O mel apresenta um elevado valor energético (100g de produto contém 314kcal) e um teor elevado de hidratos de carbono (78g por 100g alimento), encontrando-se na forma de mono e dissacáridos, essencialmente frutose e glucose, estando a primeira em maior concentração.

O mel, apesar de ser natural, não deixa de ser uma fonte de açúcar simples, pelo que deve ser consumido muito ocasionalmente e preferencialmente integrado ou no final de refeições. De facto, este alimento apresenta um valor energético muito parecido com o açúcar refinado (“açúcar branco comum”). Contudo, o mel contém alguns micronutrientes em pequenas quantidades, tais como riboflavina (vitamina B2), niacina (vitamina B3), vitamina B6, potássio, fósforo e magnésio, que lhe confere valor nutricional que o diferencia do açúcar.

O mel, por apresentar uma percentagem significativa de frutose, tem um poder adoçante superior ao açúcar refinado e um índice glicémico inferior, sendo este valor variável de acordo com a origem botânica das flores que lhe dão origem. Se este não for pasteurizado, quando submetido ao frio pode cristalizar.

Desta forma, o mel deve ser um alimento a consumir com bastante moderação por apresentar uma elevada quantidade de açúcares simples. Para além dos fatores nutricionais, a preservação das abelhas é uma prioridade, pela sua importância na polinização e na produção de alimentos presentes na nossa alimentação.

O impacto das abelhas no ecossistema

As abelhas desempenham um papel importante na manutenção da biodiversidade no nosso planeta ao participarem ativamente no processo de polinização. A polinização é o processo que garante a produção de frutos e sementes e a reprodução de diversas plantas. O vento, a chuva e os animais como as abelhas, vespas, borboletas, pássaros, pequenos mamíferos e morcegos são os responsáveis pela transferência do pólen entre as flores masculinas e femininas. Para as plantas angiospérmicas (que produzem flor), na maioria dos casos, este processo é fundamental para que ocorra a fertilização e sejam produzidos frutos. As abelhas asseguram cerca de 80% da polinização de plantações na Europa, tornando-se, desta forma, essenciais para a produção de inúmeros frutos e hortícolas e para a manutenção da flora, influenciando a nossa alimentação e a de outros animais.

No entanto, tem-se verificado uma diminuição drástica no número de abelhas  nos últimos anos, podendo ser causada pelas condições ambientais atuais, como a perda de habitat, a agricultura intensiva, as alterações climáticas, os parasitas e o uso de pesticidas. Relativamente a estes últimos, o grupo dos neonicotinóides foi identificado pela EFSA como uma substância que coloca em risco as abelhas e todo o meio envolvente, pelo que o próximo passo será a eliminação deste composto do ambiente.

Nos Estados Unidos da América e na Europa, têm ocorrido perdas significativas de colónias de abelhas nos últimos anos. Em Portugal, com os incêndios que atingiram a região Centro, milhares de colmeias foram destruídas tendo colocado os ecossistemas e a economia em risco, como se refletiu, por exemplo, no mel da Serra da Lousã DOP. A flora em redor dos apiários também foi afetada, o que limita o alimento das abelhas e afeta a sua sobrevivência.

Este declínio verificado nas colónias das abelhas, é uma preocupação nossa. Acreditamos que a apicultura deve ser preservada e a população deve ser consciencializada para a importância das abelhas na preservação dos ecossistemas. Podemos fazê-lo comprando o nosso mel DOP em substituição do açúcar e sempre em moderação.

 

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