Sete Recomendações para reduzir a contaminação por xenoestrogénios

A investigadora Diana Teixeira da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), que tem vindo a colaborar com o PNPAS, tem estudado o efeito dos contaminantes na nossa saúde, existentes por exemplo nos plásticos que contactam os alimentos.
Aqui apresentamos algumas importantes recomendações para evitar a exposição a estas substâncias potencialmente tóxicas.

 O que são os xenoestrogénios ?
Derivam do grego “xeno” que significa estranho ao organismo e “estrogénios” que ‘imitam’ as nossas hormonas, interferindo por isso em diversas vias de atuação destas hormonas.

 Onde são encontrados?
Estes compostos encontram-se dispersos no ambiente (ar, água e alimentos), pelo que estamos continuamente expostos. São encontrados em produtos derivados do plástico; detergentes domésticos; pesticidas; tintas para o cabelo; produtos de cosmética; no fumo do cigarro, entre outros. O consumo de alimentos contaminados constituí uma das principais fontes dos xenoestrogénios e alguns deles estão maioritariamente presentes na parte lipídica do alimento, ou seja na gordura.

O que dizem os nossos resultados?
–Demostrámos que os xenoestrogénios, em mulheres obesas, são acumulados na gordura corporal e estão presentes no sangue.
– Sugerimos que os níveis de xenoestrogénios estão diretamente associados a um agravamento das complicações associadas à obesidade, nomeadamente a diabetes e as doenças cardiovasculares.
– Verificámos que a presença destes compostos no sangue parece prever o risco de evento cardiovascular a 10 anos, sendo mais evidente nas mulheres em pré-menopausa.
– Propomos o reconhecimento destes compostos como alteradores metabólicos ambientais.

Recomendações para reduzir a exposição:

1 – Recupere o padrão alimentar característico da Dieta Mediterrânica
A utilização abundante de produtos de origem vegetal, alimentos pouco processados, frescos, da época e locais, assim como quantidades moderadas de carne poderá prevenir a exposição a estes contaminantes;

2 – Controle o seu peso
As grandes oscilações rápidas de peso podem ser mais perigosas do que manter o peso excessivo. A perda de peso favorece a libertação dos compostos acumulados na gordura corporal para o sangue, e pode aumentar o risco de doença metabólica;

3 – Reduza o consumo de alimentos processados
São habitualmente embalados e ricos em gordura (onde estão presentes a maior parte dos contaminantes), e desta forma excelentes veículos para os xenoestrogénios;

4 – Evite acondicionar alimentos/refeições quentes em recipientes plásticos
Pode, por exemplo, usar embalagens de plástico para reservar e transportar os alimentos/ refeições, mas apenas só deve ser transferido para este tipo de embalagem depois de arrefecido;

5 – Evite utilizar a embalagem no momento do aquecimento em banho-maria, micro-ondas ou outro qualquer
Deve antes de aquecer, transferir o conteúdo para um recipiente de vidro;

6 – Leia atentamente os rótulos
Muitos dos compostos já aparecem descritos no rótulo dos alimentos/cosméticos (ex: bisfenol A, ftalatos);

7 – Na seleção dos alimentos privilegie os de produção menos intensiva
O peixe de aquacultura e os hortícolas e frutas de agricultura intensiva podem apresentar maiores quantidades destes contaminantes.

Imagem retirada de Rema Nasaredden

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