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Resultados REACT-COVD 2.0

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Resultados REACT-COVD 2.0

No âmbito do Dia Mundial da Alimentação o PNPAS em conjunto com o PNPAF divulga os resultados do REACT-COVID 2.0.

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No âmbito do Dia Mundial da Alimentação o PNPAS em conjunto com o PNPAF divulga os resultados do REACT-COVID 2.0.

Este estudo iniciou-se em 2020 e o segundo momento da recolha de dados (REACT-COVID 2.0) decorreu entre maio e junho de 2021, contando com uma amostra de 4.930 indivíduos, com 18 ou mais anos. A segunda fase do estudo confirmou o impacto das alterações trazidas à vida quotidiana pelo contexto pandémico nos hábitos alimentares e de atividade física dos portugueses, sugerindo que as alterações observadas nos primeiros meses da pandemia se mantiveram.

Nos comportamentos alimentares, verificaram-se alterações significativas. Comparativamente ao período pré-pandemia, 36,8% da população inquirida reportou ter mudado os seus hábitos alimentares. Segundo o estudo, 58,2% dos inquiridos tem a perceção de que mudou para melhor e 41,8% para pior. Passaram a recorrer a refeições take-away (32,2%), mais snacks doces (26,3%), mas também a ingerir mais água (22,3%) e mais hortícolas (18,6%) e mais fruta (15,2%).

As razões para estas alterações nos hábitos alimentares, muitas delas positivas, parecem relacionar-se essencialmente com a possibilidade de realizar mais refeições em casa ou do número de refeições cozinhadas (33,4% e 19,4%, respetivamente), mas outras de carácter eventualmente mais penalizador para a saúde podem relacionar-se com alterações no apetite motivadas por razões emocionais (24,9%). Comparativamente ao primeiro período de recolha de dados (abril e maio 2020), os fatores emocionais ganham um maior destaque. Já os fatores relacionados com as preocupações com a situação económica parecem perder influência nos comportamentos alimentares. Associado ao peso dos fatores emocionais verificam-se níveis elevados de “fome pelo prazer de comer”.

Este estudo permite confirmar as tendências já observadas durante o 1º período de confinamento obrigatório. Foram identificados padrões distintos de comportamento e consumo alimentar. Um padrão caracterizado por alterações de consumo alimentar que podemos considerar menos saudável, caracterizado por um aumento do consumo de (por ex. refeições pré-preparadas, snacks salgados, snacks doces, refrigerantes, enlatados, take-away) e/ou por uma diminuição do consumo de alimentos considerados mais saudáveis (ex. hortaliças e legumes, peixe, água). Este padrão alimentar menos saudável foi mais prevalente em inquiridos com mais dificuldades económicas e em risco de insegurança alimentar, bem como nos inquiridos que apresentam um nível elevado de “fome emocional”.

Por oposição, foi identificado um padrão de comportamento alimentar mais saudável, no qual se destaca a diminuição do consumo de alimentos menos saudáveis (ex. refeições pré-preparadas, snacks salgados, snacks doces, refrigerantes, take-away, enlatados, bebidas alcoólicas) e/ou o aumento do consumo de outros, considerados mais saudáveis (ex. hortaliças e legumes, água, fruta). Parece importante sublinhar que durante o período pandémico analisado, a adoção de comportamentos alimentares mais saudáveis pareceu ser mais difícil de atingir nas populações mais jovens e desfavorecidas socioeconomicamente sugerindo que a nível alimentar, a crise pandémica tenha contribuído para agravar as desigualdades em saúde.

As orientações produzidas pela DGS sobre alimentação durante a pandemia foram consideradas úteis pela maioria da população (79,6%) e em particular pela população menos escolarizada (81,7%), o que sugere a importância do papel das instituições de saúde e da sua informação neste contexto.

Os resultados deste inquérito também sugerem que a atividade física e o comportamento alimentar se parecem influenciar mutuamente, sublinhando a importância de uma abordagem integrada na promoção destes comportamentos. Abordagem esta que também terá de ter em conta género, idade, e situação socioeconómica, já que a análise combinada aponta para um perfil de risco em que ser mulher, ter idade inferior a 45 anos e perceção de má situação financeira, parece aumentar o risco de menores níveis de atividade física e mudança para pior piores hábitos alimentares. Ser homem e ter mais de 46 anos, parece facilitar maiores níveis de atividade física e manutenção ou mudança para melhores hábitos alimentares.

O relatório pode ser consultado aqui.

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